IN OR OUT: Botas Over Knee

Tenho postado todos os meus textos por aqui, eu sei. De vez em quando vem uma luz na minha cabeça e eu entro em uns projetinhos marotos com as amigas do blog, então quando mês passado a linda da Isabella do The Urban Trends sugeriu uma postagem mensal para falarmos sobre tendências polêmicas (ou nem tanto assim), achei demais. Funciona da seguinte forma: todos os meses a blogosfera, em especial para os fashion blogs, falam sobre a mesma polêmica e fica chato entrar em todos esses endereços e ver a mesma postagem over and over again, então decidimos unir a opinião de várias blogueiras no mesmo lugar para ficar menos cansativo e mais produtivo.


Particularmente acho que é uma trend que depende muito. Quando tem um salto agulha, já acho meio out, porque fica cheio de informação (pelo comprimento do cano ser really longo), então acaba vulgarizando. Quando tem salto pequeno ou não possui um saltinho, acho super amor. É uma trend que pode ser super explorada e cai bem com shortinhos até vestidinhos, sabendo mesclar as peças para, de novo, não vulgarizar. Over knee é uma trend que já contem bastante informação e por isso acho que só é in quando investida em looks puxados para less is more. 

"Quando eu era criança e eu vi uma linda mulher pela primeira vez eu juro que me fantasiava usando uma over knee #mejulguem, sério, achava super feminino e ficava pensando que quando eu crescesse eu iria ter uma. Não tenho, infelizmente. Tirando todo o sex appeal que a over knee tem (e o filme uma linda mulher mostra muito bem isso), acho que dá pra usar sem puxar para esse lado suuuuuuuuuuuper sensual da bota. Dá pra ser bem estilosa, combinar com vestidinhos rodados de mocinha (combinação com over knee que mais amo, justamente por causa de misturar uma peça delicada com uma peça sensual) e ficar lhenda e phyna. Super in, se não morasse em Vitória e querer me matar de calor por usar calça jeans."

Já vi as botas over the knee diversas vezes em filmes "antigos" e em apresentações de algumas cantoras, tipo Katy Perry, Madonna e etc., mas só fui parar pra prestar atenção nas botas mesmo, quando estava assistindo a série Gossip Girl e vi a personagem da Blake Lively usando até mesmo parar ir ao colégio e eu achei as botas incríveis, simplesmente pelo fato de "esconder" um pouco a perna dando total atenção a bota, podendo salvar muitas composições de looks. Fora que fica super elegante, seja com salto ou sem salto. Sou meio suspeita para falar sobre botas, porque sou louca por esse calçado, se eu pudesse faria coleção. Enfim, é obvio que pra mim é IN!

Ketryn
Acho lindas, principalmente combinadas com um visual mais ~trevoso~. Eu tenho a sensação que me sentiria "uma deusa, uma louca, uma feiticeira" se usasse, mas a maioria das botas over knee são ou de salto ou de montaria e não combinam muito comigo. Eu não me dou muito bem com saltos e uso botas de montaria "normais" praticamente só pra andar a cavalo, então eu facilmente trocaria uma bota over knee por um coturno com cano alto. Enfim, acho que não usaria, mas admiro quem sabe usar.

Eu sempre achei as "over-the-knees" polêmicas! (rs) Na verdade, acho que tem que ter estilo para segurar uma dessas. Todos dizem que é preciso ter pernas longas para usar e tal, mas acho que a gente tem que usar o que gosta! Se eu estivesse num lugar muito frio, acho que usaria sim, talvez com uma calça da mesma cor da bota (porque meu quadril é avantajado e se tiver uma quebra muito brusca no tom, pode ficar esquisito). Infelizmente, aqui no Rio de Janeiro é quase impossível aguentar uma bota dessas pelo calor (até nos dias "super frios" de 18º huahuahuahua). Então, parecer final, apesar de tudo que falei (rs): IN!"

Karoline
"No geral acho que esse tipo de bota deixa a mulher com um ar mais sensual e poderoso. Eu via muito as meninas gringas usando e amava, achei que demorou um pouquinho para chegar aqui no Brasil, mas agora já temos algumas referencias, ainda bem! Esse lance de ter que ser alta e magra para poder usar eu acho que não ta com nada, se você se sentir bem, use sim. Mas por já ser um sapato que chama bastante atenção, acredito que a escolha do restante da roupa tem que ser bem cuidadosa para o look não ficar exagerado. Eu super usaria se não morasse em um lugar tão quente. Grande dica, não use se sua cidade estiver fazendo mais que 21°C. No mais, totalmente IN!"

Tabatha
Quando eu era mais nova, eu achava muito estranho ou vulgar porque via celebridades ousadas usando, como a Madonna por exemplo. Depois de muito tempo comecei a entender como se usar e como poderia ficar incrível dependendo do look. Entretanto eu acho que pessoas baixinhas, por terem a perna muito curta (oi, prazer), não são as mais indicadas porque somem um pouco... Mas tudo depende de como se usa ainda! Mas como hoje em dia eu acho lindo mesmo que com restrições, pra mim é IN com certeza! 

"Há mais ou menos 3 anos que tenho noticiado as Botas Over the Knee surgirem como uma forte tendência, no início elas realmente causaram muita estranheza por aqui. Na gringa o modelo caiu no gosto das fashion bloggers, eu particularmente fiquei apaixonada pelas botas, porém era impossível econtrá-las no mercado Brasileiro, muitas pessoas as viam como uma tendência vulgar e associavam as botas ao figurino de Stripper, bem ao estilo da personagem de Julia Roberts em "Uma Linda Mulher". Aos poucos, o modelo se popularizou, graças à matérias de revistas de moda e ao street style que contribuíram para a sua desmitificação. Acho que apesar da silhueta um pouco desafiadora as botas over the Knee são mega estilosas, elegantes e até, ao meu ver, bem versáteis. Combinam com calça, leggins, saias e vestidos, até as baixinhas podem usar, digo pq sou e uso sem medo! Para mim é totalmente IN!

Astronauta

Lembrei agora do exato momento em que coloquei meus pés no mar e lentamente fui posicionando meu corpo inteiro pra dentro da água, tomando todas as porradas possíveis das ondas. Foi bom ter essa discussão reflexiva e silenciosa com a parte de mim que mora nas águas. Foi preciso me esvaziar. Foi preciso sair pelas portas que me foram escancaradas e entrar pelas frestas das janelas que eu mesma fechei - por medo de chover e molhar a casa que eu andava arrumando.

Mesmo assim, hoje choveu muito, feito quarta-feira de cinzas. Choveu tanto que até abriram umas goteiras dentro de mim. Mas sabe o que é? Tudo bem. A vida só pode ficar leve se ela já foi pesada em algum momento. Eu até aprendi a tomar as porradas do universo sem querer correr para colos familiares. Tô nessa selva e fui ser logo um escorpião cansado de terras rachadas e com sede. 

Ia soltar aquelas minhas piadinhas que mais são queixas da vida, mas convenhamos, já tomei tombos maiores e posso ficar de boa nesse meu planeta meio salmão. Também posso colocar minhas bandas favoritas para tocar e dançar junto com as notas que vagam pelo quarto e pedem pra conhecer aos poucos o resto da casa. 

(Foi legal brincar de astronauta. Sempre gostei de estrelas e o satélite que mora no meu céu é a minha coisa favorita. Foi bom escorregar os dedos pelas bordas de uma imensidão e me conectar a outros mundos. Mas chega de brincar de flutuar. Os anéis do meu planeta precisam de um reparo pra brilhar amarelo, feito um new beetle correndo rápido, deixando um rastro de poeira cósmica da cor que a minha alma tem).

Samba com o jorginho

Cheguei no Rio de Janeiro bebendo. Me entupi de vodka com energético antes do rolê e parti para o Carioca da Gema, curtir um samba rock por lá. Já cheguei pra lá.. Tã pra lá que onde mesmo eu nem dizer. Que cidade cabulosa é essa que desperta a minha fome de insanidade? Puta merda, cara. Dancei igual uma lacraia asmática a noite inteira. Falei inglês com um desconhecido que era brasileiro e o motivo mesmo eu já não consigo me recordar.

Descobri que eu cai uma hora e que o mesmo vento que tava derrubando Aécio Neves durante uma reportagem havia acabado de me atingir. Foi massa. Seu Jorge tava na platéia do mesmo boteco que eu e eu nem vi. Ele até cantou altas músicas e puts.. Quem é Seu Jorge?  Mal sabia quem era eu ali. Tiramos foto e eu não ia saber nunca se eu não tivesse visto as fotos.

Cheguei no hotel e descobri que celular na mão de bêbado é foda!!! Mandei uma pá de áudio desnecessário e rachei os bicos igual uma condenada. Capotei depois. Dormi like a stone e acordei inocente. Que puta ressaca! Rio de Janeiro tá sendo nice comigo e eu tô sendo insammy com ele.

Lua em Áries

O sábado amanheceu raivoso. Parece que a sexta feira cuspiu alfinetadas enquanto eu dormia e desrespeitou o dia de hoje. Para completar, a lua acabou de entrar em áries e, mesmo não fazendo a menor ideia do que isso quer dizer, eu acho que é o universo tentando me foder. Tem uns dias que são pesados e fazem a gente desmoronar mesmo. Dá vontade de tirar férias do meu universo particular, porque vez ou outra eu sou engolida por essa chuva de pensamentos e possibilidades.

Hoje eu senti todo o peso do mundo que me abrigou quando eu saí de casa, fiquei escalando as paredes dessa areia movediça que é ser de carne e osso, mas baquiei com as porradas que a vida me deu. Tá foda, cara. Não é olho gordo, maré de azar ou macumba online. É como as coisas acontecem independente das nossas escolhas e embaralham as idéias. 

Torci pra não pensar em nada, mas pensei em tudo e foi bom. Passei os meus caminhos a limpo e algo me diz que eu aprendi alguma coisa com eles. Quis ser invisível, mas lembrei que a minha personalidade já havia se feito transparente.

'Como tá a vida?"
"Tá indo. As vezes boa, outras nem tanto assim. Mas tá indo mesmo. Vai estar sempre indo enquanto for vida".

Meio Salmão

Comprei um maço de marlboro hoje. Escorreguei pelas bordas desse calabouço e descansei os dedos com o cigarro aceso. Fez muito sol, chuviscou e o tempo apertou o freio enquanto acelerava. Mesmo assim, olhei o mundo meio salmão pela lente do meu óculos rosa estilinho Cyndi Lauper. Tá vendo como eu sou presa nos detalhes? Olha só esse sangue de árabe sistemática pulsando aqui, cronometrado e bombardeado por toda essa nicotina. Olha só esse poço sem fundo que é o fundo dos meus olhos míopes e cor de nada.
Mas eu ainda tenho uma vida inteira dentro desse quarto essa noite. Vou fumar os meus marlboros do começo ao fim até o pulmão parecer inflamar, ver um filme meio comédia e dar duas bolinhas para ficar tudo bem. Vou dormir igual um neném e amanhã eu me viro sendo uma versão melhor de mim do que fui ontem. 
Comprei umas comidas infantis e serei feliz no meu reino de recheadinhos e passatempo. E ah, tem o monego, que mesmo dormindo no meio das minhas melhores conversas noturnas, tá sempre felizão e amenizando meu nervosismo crônico. E tem eu, olhando pro espelho e dizendo que sutiã é bobagem, de pijamas de cachorrinho e coração, com os cabelos selvagens e rindo das coisas que a vida me conta - me apronta.

Duas bolinhas pra ficar tudo bem

Nos últimos dias, a minha cabeça tá a maior confusão! Comecei a escrever vários textos que, honestamente, nem sei se conseguirei terminar dia desses. 2015 é o ano das vacas magras até nisso. Mas beleza, me pergunta o que raios eu estou fazendo dos meus dias? Bosta nenhuma, lógico. Quanta improdutividade, cara. Mas vendo por outro lado, é só dar duas bolinhas que passa.

Se parar para pensar, eu tô é pensando demais ultimamente. Tô ligada nessas paradas de o cérebro ser um músculo que precisa ser exercitado, mas o meu a essas horas já tá marombão. Mas okay, hoje eu andei de bicicleta, caí - porque se tem uma coisa que eu já nasci sabendo é cair, puta merda -, arrisquei um slackline, comi metade do meu estoque de comidas infantis e dormi. Capotei até quatro e meia da manhã, acordei pensando demais, dei duas bolinhas pra ficar tudo bem... E não é que ficou?
Agora tô aqui, exatas 5h21, falando milhões de coisas desconexas e tá tudo bem. 

Tô morando sozinha, morrendo lentamente para pagar minhas contas, fazendo um esporte semanal e dormindo igual um bebê no fim do dia. Mesmo assim, ainda tem gente me enchendo saco. Ainda acordo aos berros, vez ou outra, porque durmo o dia inteiro e por isso a forma como eu resolvi ganhar dinheiro é inválida. Numa hora dessas que eu acendo um cigarro pra digerir a vida, depois eu dou duas bolinhas e até acho graça dessa porra toda.

Quem me conhece sabe que eu adoro um dorflex nos dias em que a vida tá pro crime e resolve me encher de porrada. Quem me conhece também sabe que eu adoro uma biritagem sem cerimônias. E até você que pode não fazer ideia da minha existência sabe que eu sou o tipo que dança esquisito e dorme enquanto está recebendo visitas. Mas tudo bem, porque de vez em quando o universo me aponta a luz, que tá dormindo no parapeito da minha janela, aí dou duas bolinhas quando acordo e fica tudo bem.

Desabafos sobre ser um preconceituoso musical

Existem milhares de gêneros musicais, que se fazem mais presentes ou não de acordo com uma determinada região. Eu posso gostar de samba/mpb até uma stonerzera cabulosa, fazer buraco no chão com eletrônico ou balançar cabeça de braços cruzados com rap. Não preciso gostar de tudo, mas tem certas coisas na vida que são quase uma obrigação musical você conhecer. Aqueles conhecimentos de mundo, me entende? Não preciso gostar de política, mas preciso estar por dentro do que está acontecendo no meu país e dominar o básico do assunto para estar apto para um debate qualquer, por exemplo. 

Quando eu conheço alguém, o mínimo que eu espero é que essa pessoa tenha um bom gosto musical. Não dá pra conviver com gente que escuta pitbull o dia inteiro e não sabe quem foi Beatles ou a porrada que Pink Floyd representa no universo. Eu posso odiar Nirvana e achar o som dos caras péssimo, mas eu tenho uma noção muito grande da banda e dos integrantes pelo menos. O foda é que o melhor jeito de conhecer o gosto do outro, é deixando ele bancar o dj e colocar o que ele gosta de ouvir pra tocar - o que acontece geralmente é uma das partes perguntar e ficar broxado. 

Esse tipo de preconceito musical é uma escrotidão, assumo. Fazer o quê?! Você pode ficar broxado por eu preferir Beatles a Stones, nunca ter ouvido um funk da Ludmilla - ou já ter ouvido e ter confundido com anitta, porque tudo com duas consoantes me confunde, inclusive meu nome -, e me achar uma união de bizarrice com roqueiragem de mal gosto, tudo bem por mim. Mas em algum momento, se houver um julgamento decisivo no fim dos tempos, eu vou ser salva porque eu cumpri a minha obrigação musical de saber quem foi The Doors e Jimi e Janis e Cyndi, porra. 

O preconceito está no ouvido de quem não sabe reconhecer que existe música boa, que rock não é só essa gritaria escrota e guitarras pesadas que fazem o meu coração tremer de amor. Se as pessoas soubessem a quantidade de sexo, amor, esbórnia e onda que eu já dividi com esse tipinho musical sensacional, e o tanto de gente do mundo inteiro que mergulhou nesse mesmo mar que eu, elas teriam menos ousadia na hora de confundir isso com uma barulheira. 

Se não existe amor em SP, existe o quê?!

(Reencontrei a massa cinzenta gigantesca de São Paulo. Fomos novamente apresentados, novamente apaixonados. Um monte de insanidade. Um monte de ruas e pontes e viadultos e tanto faz. Todos esses muros delicada e pesadamente coloridos, estampados. Um mar de carros e histórias totalmente distintas, abarrotadas umas sob as outras. Enchi os olhos com toda a beleza mórbida desse lugar. Me permiti ser engolida por toda essa urbanização sem limites. Sorri, porque precisava mesmo disso. Guardei o sorriso, porque vai que Criolo tem razão. E nessa brincadeira de copos, bebidas, cigarros, faróis, vidas e sobrevidas, o que mais se tem é amor - desses que dão um alívio na alma por existirem. Fui feliz de novo. Dei um choque forte na alma, iludi meu coração com falsas certezas. Tudo bem. Ri sem motivo, só de pensar na vida, e como eu passei ela a limpo! Que bom que tive companhia e que a mesma supriu as lacunas que São Paulo jamais conseguiria.)

Quarta-feira
Partimos de Juiz de Fora. Colocamos gasolina, compramos um suco horrível e uns chocolates que acabaram por derreter com o sol da estrada. Caminho longo pelo sul de Minas, com um som de roncos imaginários mesclado com o cd mais ou menos arranhado que ou pulava alguma música ou agarrava - mas que é demais. Todo mundo tava exausto, o dia anterior foi rabo e a esbórnia cobra um preço. Deixamos o Kevin em casa e partimos em direção a São Paulo. Paramos para fumar um cigarro. Conhecemos um cachorro meio carente e seguimos caminho torcendo para não pegar o trânsito em horário de pico paulista. Pegamos, chegamos 18h em ponto por lá. Comemos, dormimos, fizemos coisas antissociais. Bernhard e eu fomos para o MASP, descemos a Augusta. São Paulo me trouxe os rolês individuais, daqueles que se conhece melhor o outro, na mesa de um bar, tomando cerveja litrão estupidamente gelada valendo dez pila. Conhecemos um mágico, e não é que o cara era bom? Desses mágicos que entregam uns truques, mas guardam o segredo de outros a sete chaves e consegue surpreender. Perdemos o tempo dos copos, depois perdemos o metrô. Paulista não sabe mesmo dar informação e todos os lugares são muito longe - ou é "ali" de mineiro que é muito presente na minha vida mesmo. Pegamos um ônibus, porque os policiais disseram que estávamos muito longe, mas ele só nos levou até a metade do caminho. Fomos a outra metade a pé, nos perdemos, Bernhard chutou uma pedra, uma lata, reclamou da chuva e eu tomei um tombo porque escorreguei com o meu chinelo da Brahma. Acho que por isso todo mundo anda de tênis por lá, mal sabem o conforto que é deixar os pés respirarem. Nem acreditei quando a minha miopia me permitiu ver a placa da rua que tínhamos que chegar, três horas depois de termos passado no metrô. Dormimos - e eu tava um tanto alegre com aquelas cervejas.

Quinta-feira
Meu alarme tocou raivosamente as 9h30. Fomos dar uma volta pelo bairro que estávamos mesmo e acabei comprando o óculos mais lindo da minha vida, de armação fina e dourada, com as lentes rosa, estilinho Cyndi Lauper. Minha mãe pagou um chopp pra gente, antes do almoço, "só para pensar melhor". Semana santa e os rolês gourmets foram carnívoros mesmo - e que puta strogonoff delicioso. Dormimos. Acordamos, nos enrolamos, saímos. Decidimos colar no MASP de novo, com uma garrafa de presidente e guaraná, conformados de que metrô só depois das 4h e que a madrugada ia ser insana. Conhecemos o Tiago, o cara que não era nem maluco, nem hippie, mas que me deu um colar ágata de fogo, porque era a pedra dele. Depois chegou o hugo, o outro hugo e a minha memória não me permite mais lembrar de outros nomes. Paramos no Safra. Descemos a Augusta, de novo. Dessa vez meio bêbada, meio chapada. Conhecemos o inferninho. Gente chapada pelos lugares, cerveja rolando, cigarros sendo acesos e apagados all the time, all night long, over and over again. Jogamos sinuca. Umas minas pegaram meu telefone - e até me mandaram mensagem no dia seguinte -, só que não dei moral. Quando nos demos conta, chegamos em casa seis e pouca.

Sexta-feira
Era para ter rolado um bate e volta pela praia. Não rolou, chegamos na hora do pão e o corpo precisava dar uma descansada. Hugo tinha dito que o rolê ia ser fraco, pelo dia que a sexta representava, mas que sábado o bicho ia pegar. Não comemos nada. Ajudamos a minha mãe a buscar a nova integrante canina da família, em algum canto de São Paulo difícil de achar. Nos perdemos. Pedimos informação a um taxista oldschool que procurou o nome da rua em questão num guia de 2014. Voltamos para casa, com um filhote no colo e uma quase sauninha automobilística. Comemos, dormimos. Nessas horas que eu reflito o quanto meus horários de sono estavam desregulados e aleatórios. Fui acordada do melhor jeito da minha vida até hoje. Fomos beber na padaria 24h em frente a Praça da Árvore, perto de casa, de leve. Sexta da paixão rendeu uma dessas conversas pessoais, dos casos de infância aos momentos mais constrangedores das nossas vidas. Fomos antissociais e fomos embora.

Sábado
Nem lembro que horas acordei. Sei que tomamos um banho, comemos e partimos rumo 25 de março e galeria do rock, com uma câmera no pescoço e um maço de cigarros no bolso. A galeria do rock é um conjunto de gente bizarramente feia e bizarramente linda, fiquei apaixonada e desmotivada em uma questão minúscula de segundos. Outra coisa que me encheu os olhos foi, com certeza, os inúmeros adornos para usuários de cânhamo e as máscaras boladas do Jason. Saímos, sentamos na praça, fumamos um cigarro e comemos o churrasquinho grego com salada e suco grátis por dois conto. Nem passei mal no dia seguinte, mas me lembro de achar que era gato e o suco gelatina quente, recomendo. Demos um rolê central, tiramos pouquíssimas fotos, voltamos. Dormimos, acordamos, saímos para o rolê preparados para o que viesse, afinal, última noite. Encontramos a Hell no MASP, descemos até o Safra, achamos o Hugo. Conhecemos um cara meio chato, amigo da Hell, mas a noite se encarregou de afastar ele do rolê. A insanidade de São Paulo invadiu as portas da minha mente e me permiti ser engolida pela cidade cinza. A Augusta tinha outra cara, abarrotada de esbórnia e doidões, que paravam consecutivamente com a gente e falavam meia dúzia de bostas. Vinicius Vinci foi o doidão mais legal de que eu consigo me lembrar, puta cara bêbado que vetou o mendigo que tentou falar com a gente, porque estávamos num assunto profundo e só dá pra conversar com um doidão por vez. Quatro e pouca e São Paulo já estava me vomitando pra Minas, com uma garganta inflamada e o corpo doendo, pedindo por um metrô, colo e cama. Fomos embora. Não sei o que me deu, mas arrumei uma risaiada gostosa quando cheguei em casa, muita onda. Dormimos, porque precisávamos viajar no dia seguinte, que já era aquele dia.

Domingo
Páscoa, dia de embora, coração sorrindo porque o céu mineiro começou a me fazer falta aos olhos. Acordei mal, mas tentei lutar com a garganta inflamada. A missão foi concluída até São Gonçalo do Sapucaí, quando chegamos para buscar o Kevin. Já tinha anoitecido, decidimos ficar por lá. Fiquei mal, deitei, ignorei a vida, me entreguei aos olhos ardendo e a febre de amigdalite que eu detesto. Não ganhei chocolate, mas ganhei essa gripe, porque novamente a esbórnia cobra um preço. Deixamos para o dia seguinte a volta, porque esse feriado pediu uma extensão de diversas formas. Que bom que fomos, mais ainda, que bom que voltamos.

Sentir falta é ilusão

Todos os dias pessoas entram e saem das nossas vidas. Conhecemos diferentes personalidades, jeitos, pensamentos, nos apegamos ou não a eles. Podemos nos tornar amigos inseparáveis, um casal meia boca, nos apaixonar e amar como se não houvesse amanhã - ou nos odiarmos à primeira vista, repudiarmos a presença um do outro.

Saudade é um sentimento filho da puta, uma faca de dois gumes: ao mesmo tempo em que ansiar pela presença da pessoa e esperar que ela retorne para preencher todas as frestas da sua vida é incrível, saber que ela talvez não o faça pode destruir o seu coração. Há formas saudáveis de sentir falta, assim como há formas ilusórias. 

O fato é que eu não preciso de ninguém para existir, andar, comer, respirar, dormir, ser feliz. Ninguém nasceu destinado a executar essas funções na minha vida. Eu posso sentir terrivelmente a falta de alguém, seja pelos dias de companheirismo, felicidade mútua, vidas compartilhadas e emboscadas. Posso desejar que essa pessoa apareça pela manhã, sem avisar, como quem não quer nada - e mesmo assim continuar vivendo normalmente. O mundo não para enquanto você se lamenta de saudade. A vida continua dia após dia e, mesmo que ninguém seja substituível, não existe um break para sentar, tomar um café e esperar que fulano retorne como se você dependesse disso. Não depende. Isso é ilusão, das brabas. 

Pessoas entram e saem das nossas vidas o tempo todo. Talvez alguém sinta uma saudade absurda de você, mas entende que acontece, ninguém nasce colado de qualquer maneira. Ninguém vai deixar de viver porque você se foi, mesmo que a vida tenha sido mais interessante enquanto você participava. Não deixe também. E conheça outras pessoas. Morra de amor por elas e de saudades também. Só não se mate por dentro, nem se corroa com um sentimento ilusório. Somos seres humanos completos, se deixou de te somar, não se permita ser subtraído.

(Mas morri de saudades quando você deu meia volta e foi pr'outros lados. E foi gostoso, porque eu sabia que ia esbarrar com você dia desses, quando você voltasse. Que bom que voltou e ocupou de novo as beiradas da minha vida até arrombar a porta e invadi-la por completo. Mas se fores embora, por qualquer motivo que seja, vai para ser feliz - porque é o que eu mais te desejo desde o começo, que seja feliz. Vou continuar morrendo de saudade, dessas mortes que fazem a gente continuar vivendo e experimentando tudo o que há de possível. Dessas mortes gostosas, porque eu posso te visitar no cantinho da minha vida e encontrar o pedaço que sempre fica, mesmo quando todo o resto mete o pé).

A síndrome de quem escreve

Não sou o tipo de pessoa que beija meio mundo numa noite. Mal beijo no mês. Ano passado beijei no máximo 5 bocas, em 365 dias. Sou do tipo que atrai gente complicada, que vai virar minha vida do avesso e deixar meu coração todo remendado no final. Evito. Mesmo carregando a síndrome de quem escreve. Essa coisa de imaginar todas as situações mais cotidianas possíveis e, no meio do tédio de uma fila lotérica, conhecer alguém. Torcer para que esse alguém seja interessante. Esperar que, sendo assim, esse alguém se embale na minha vida e permaneça sabe-se lá por quanto tempo.

Tento não me envolver, mas é muito difícil achar uma pessoa interessante no meio de sete bilhões de possibilidades. Mesmo procurando loucamente. Mesmo cuidando do jardim para as borboletas virem. Odeio borboletas, de qualquer maneira, é um bicho bonito mas puta nojento. E nunca vem a borboleta interessante. Quando vem, parece mais para um gafanhoto destruindo toda a minha plantação. 

Acho que é isso, essa coisa de ser interessante é só um adjetivo utópico para ser complicado. Eu gosto é do obstáculo, de gente que sorri de canto e diz tudo mesmo sem querer dizer nada - ou finge que diz, e convence. Na real, esse lance da conquista é uma merda, cara. Mas sem ele, que graça tem? Quem me quer, não tô afim. Tá ali, disponível, a hora que eu quiser, que saco. 

Deixo pra lá. Finjo que tô pouco me fodendo e continuo vivendo a minha vida. Mesmo com essa síndrome de quem escreve. Essa coisa de imaginar que, no meio da minha vida abarrotada de perrengues, alguém apareça com a aura clara e ilumine os caminhos que eu resolver percorrer madrugada a dentro. Com ou sem birita. Com ou sem coisas antissociais. E me faça rir, ou perder o ar. Até o ponto que não sei, não faço ideia se é a vida que torna as coisas complicadas ou sou eu que sou complicada porque complico tudo.

Procurar e achar é um sentimento bosta.


Depois de um desabafo sobre como expectativa é um sentimento bosta (aqui), resolvi criar uma continuação e desabafar sobre esses feelings escrotos.

Somos inseguros, passamos grande parte do tempo em busca de convicção e certeza. Criamos situações nas nossas cabeças, vivemos e revivemos momentos física e mentalmente. Desconfiamos. Construímos teias, nos emboscamos. Buscamos estabilidade nesse mundo cheio de possibilidades.

Quando criança, cansei de ouvir o bom e velho "quem procura, acha", e não é que encontra mesmo? Há sempre aquele medo pela busca, a vontade de recuar e deixar tudo como está. Depois não. Após contar até dez, respirar fundo umas quinhentas vezes, engolir seco, invocar o David Guetta para distrair a mente, jogar uns RPG cabulosos, a curiosidade vence você. Olha aí, tá fazendo um monte de bosta tentando acertar a senha, desbloqueando o celular, lendo as conversas, atendendo a ligação em número privado. Tá fazendo bosta.

O lance do procurar e achar é que, mesmo que não tenha nada, você vai fazer parecer até o mísero "Olá" de uma pessoa totalmente inocente da sua fúria ser a nova tempestade em copo d'água. Acho que, em algum momento, a dúvida vai gerar uma necessidade de provar desde o começo que toda essa bosta de mergulhar na privacidade e individualidade do outro tinha uma razão. Não tinha. O pau vai quebrar por falta de confiança - ou pelo abuso da mesma. 

De todas as minhas experiências - sejam elas de amizades ou amorosas -, esse negócio de emprestar a senha não dá. Meu celular é meu e diz respeito somente a mim, nem por isso me torno desleal, desonesta, desrespeitosa, desqualquer coisa. Procurar e achar é um sentimento bosta, mesmo quando não se acha nada demais.

A casa nova

Me descobri num lugar incrível. A casa nova é o lugar onde você se encontra de alguma forma. Eu me encontrei uma pessoa mais livre, amável, calma. A vida faz isso com as pessoas, não é? A gente passa todo o tempo tentando entender as respostas quando, na verdade, basta você fazer tudo aquilo que quiser e ser feliz com as suas atitudes. A vida é um monte de escolhas e certo ou errado é relativo demais. Existem sete bilhões de pessoas diferentes no mundo. Signos diferentes, personalidades diferentes, pensamentos e amores diferentes. Fazer o quê? A graça das coisas está na busca pelo desconhecido. Quando dizem que a vida só começa quando você sai da sua zona de conforto, eles tem razão. Existir - e não só sobreviver - é apenas uma questão de dar o tiro no escuro. Pode ser que você acerte, pode ser que atire no seu próprio pé, que se foda. Faça escolhas, mesmo que as consequências não sejam exatamente aquilo que você espera. Tudo bem cometer erros, e é ainda mais tranquilo caso você os repita. Ninguém pode pré julgar que você aprenderá na sua primeira cabeçada - às vezes, elas se repetem over and over again.

A casa nova me abrigou e eu não pude evitar abraçar o lar que recebi com tanto carinho. Essa mesma casa, que de nova talvez tenha só os moradores, me ensinou que infelicidade é opcional. Como é mesmo que se diz? Os incomodados que se mudem. Pois é, mudei muito mesmo. Larguei meu emprego, larguei uma vida que não me pertencia, me joguei do abismo e respirei fundo para continuar caminhando. Só faz o que não quer quem se dispõe a isso. Parei de me dispor a qualquer tipo de migalha que o mundo me oferecer. Quero mais, e mais que isso, exijo mais. Exijo porque tenho um milhão de opções e, mesmo sempre escolhendo as erradas, ainda posso transformá-las em certas no final. Tenho amado mais também, e cá entre nós, que sensação maravilhosa de estar apaixonado. Bebi demais nos últimos sei lá quantos dias, dancei até tremer as pernas de euforia, beijei na boca e acordei junto. Sem sentimentalismo barato, sem falsa modéstia, paixão. Paixão que nasce despercebida e, quando se dá conta, não se é possível mais evitar.

Amei quem eu sou e, mesmo que eu não esteja exatamente onde eu quero estar, pela primeira vez me sinto na direção correta. É preciso ir embora. Li isso esses dias e entendi a verdade crua e nua dessa afirmação. É preciso se desapegar das razões que te prendem em algum lugar. É preciso tentar de novo, dar outras chances para a vida - a gente não nasce com nenhum tipo de manual, de qualquer maneira. No fim das contas, eu só gostaria de agradecer por toda a insanidade que me abriu os olhos, mas principalmente por toda essa lucidez que pouquíssimas pessoas são capazes de enxergar em mim.

Eu não estou te dando condição

Clichê, mas precisa ser reforçado: estou sendo legal, não estou te dando condição.

Frequentemente pessoas desconhecidas me adicionam no Facebook. Mais frequentemente ainda, essas mesmas pessoas puxam um certo assunto, tentando aproximação. Fui ensinada a não falar com estranhos, mas a internet quebrou esse tipo de barreira educacional muito cedo. Quando você se dispõe a falar com outra pessoa, involuntariamente você acaba se sujeitando a ouvir qualquer tipo de coisa vindo dela também - além de, obviamente, correr o risco da mesma te interpretar mal.
Uma das coisas que eu jamais conseguirei entender é essa síndrome de napoleão que alguns caras adquirem online. Pode funcionar para algumas pessoas, mas a sua foto sem camisa com um sorriso sensual não vai me fazer cair aos seus pés depois de um "olá". Mostrar falso interesse pelo meu estado de espírito ou em como foi o meu dia, também não. Aliás, se você não está interessado em me conhecer como pessoa, você vai perder o seu tempo. 

Os termos para quem não cai nessa conversa para boi dormir variam de "metida" a "arrogante", o que na real, eu acho um desaforo. Sou uma escrota, mas arrogante não! Se combinarmos de ir tomar um café, tomaremos esse maldito café e conversaremos. Se formos ao cinema, veremos essa porcaria de filme. Sem planos mirabolantes nas entrelinhas para nos comermos por quinze minutos. Sem ambiguidade nos encontros marcados. Só o que parece ser, nada além disso. E tudo bem, sabe? Vocês homens napoleões podem ter os seus lanches da madrugada, porque mulher também faz sexo casual e tem números de amigos salvos no celular para hora do vamos ver. Mulher também gosta de uma foda sem sentimentalismo barato. E não posso falar no geral, mas falando por mim, se eu estiver interessada na sua pessoa, vai estar claro. Portanto, parem de confundir as coisas, de ver pingo onde não tem i, porque eu sou uma pessoa simpática, e isso não quer dizer, de maneira alguma, que a gente vai trepar dia desses. 

A expectativa é um sentimento bosta

Essa é uma postagem pós uma reunião do Clube das Sentimentalmente Abaladas

O amor é uma possibilidade. Há sete bilhões de pessoas no mundo, número esse equivalente a amores em potencial. Ninguém é capaz de te oferecer cem por cento de tudo o que você espera. Nós somos seres humanos completos, estamos sempre em busca daquilo que pode nos transbordar. A teoria é linda, mas a prática é constantemente cruel.
O amor é uma expectativa, e expectativa é um sentimento bosta. Mesmo assim, ainda roemos unhas, arrancamos o cabelo, fazemos vigília em volta do celular, procuramos ansiosos o rosto que não está no recinto, ansiamos sobre as dúvidas e fazemos tempestade em copo d'água.
O amor é - amante, telefones desligados, desencontros, laços de alma - casado com a dor. Não pode haver luz sem haver trevas. A dor é inimiga do seu coração. Ainda assim, estamos sempre dispostos a amar; estamos sempre pulando em abismos, abandonando nossas zonas de conforto.
O erro está na expectativa. Esse lance de apostar suas fichas em alguém, quando já foi esclarecido que ninguém é capaz de concretizar tudo o que você deseja - aliás, nem você mesmo.
Qual a linha que divida as borboletas no estômago do boxeador no peito? Em que momento abrimos as portas e entregamos nosso coração ao ringue? Se eu continuar a me doar, eu espero. Reciprocidade e empatia. Não é sobre colocar expectativa em pedidos grandes, mas sim sobre desejar aquilo que você é-tem, porque o que eu sou-tenho é seu. Mesmo que a gente não se pertença. Mesmo que sejamos apagados um das páginas do outro.

The dark side of the: Morar Sozinha - Adaptação I

Depois de algum tempo morando sozinha, toda a sua planejação da utopia que esse ato significa desmorona. A falsa ilusão de que em um número x de meses você estará estável, que o perrengue vai passar, que o dinheiro vai sobrar, vai ser desconstruída. É engraçado porque quando se é mais novo, acredita-se que o mundo pode funcionar de outra forma e que uma quantidade ingênua de pessoas pode transformar esse sistema; mas depois que as responsabilidades chegam, a vida te dá um soco nos olhos chamado realidade, e comicamente é quando você passa a enxergar melhor.
O trabalho vai enlouquecer você. A insanidade vai entrar pela mesma porta antes arrombada pelas obrigações. Você quase vai pensar em largar tudo. Faça isso. No meio do processo você vai entender que só não ganha dinheiro para pagar as contas no final do mês quem não quer, então comece a ganhar dinheiro com o que você quer fazer. A adaptação me ensinou que é preciso deixar a vida seguir o fluxo que ela quiser, e o medo de fazer pode te impedir de ser quem você deseja. Tudo bem, se até uva passa, isso vai passar também.
A estabilidade continua muito distante agora. Tudo bem. Sair de casa é se dispor a qualquer tipo de situação bizarra e desnecessária na sua vida financeira-pessoal-amorosa. Você começa a entender a individualidade do lugar que só você habita, e vai desejar que o sentimentalismo barato não aconteça por lá. Seus amigos nunca irão embora. Os rolês vão ser mais caseiros e, a única diferença disso é que quem limpa a bagunça é você. A cama vai parecer enorme e minúscula em um tempo irrelevante. Sua casa fará barulhos, você vai ligar uma música ou a televisão só para se sentir menos sozinho. Morar sozinha também é muito solitário. Os dias parecem passar apressados, mas eles só estão se arrastando. Tudo bem.
No fim dessa primeira etapa, tudo o que você precisa entender é que sair de casa é mandar um grande "vai se foder" para o resto do mundo e se tornar dono de si mesmo, príncipe das suas próprias escolhas, vagabundo com o seu próprio fucinho. O mal do urubu é achar que o boi está morto, mas ele não está. O boi tá aqui, intacto, sem bambear. A adaptação é contínua, sabe-se lá se existem fases finais ou se você ultrapassa níveis enquanto você viver, mas quero dizer que estou pronta. Foda-se, o que tiver que vir, que venha.